11 filmes irados
(E que não necessariamente fazem sentido)
No mês passado, fui assistir ao relançamento de Kill Bill nos cinemas, na edição The Whole Bloody Affair: a junção dos dois volumes, como Tarantino tinha pensado inicialmente. Enquanto revia o filme, que é meu favorito do gênero de ação, só conseguia pensar em uma coisa: é o filme mais irado já feito.
Ainda que muita coisa “não faça sentido”, e que muitas das situações sejam escrachadas, estive pensando desde então nessa categoria de filmes irados. Histórias que, mesmo com exageros, ou furos de roteiro e situações absurdas, não só não deixam de ser boas, mas também têm sua experiência mais proveitosa por isso.
Com essa lista, trago ótimos filmes (mas alguns medianos também) que me divertiram muito assistindo. Aqueles aos quais assistir sozinho já é ótimo, mas com um grupo de amigos se torna ainda mais divertido.
“KILL BILL: Vol. 1”, de Quentin Tarantino
Começando pela inspiração dessa lista, Kill Bill é um marco não só na carreira de Tarantino, mas no cinema de ação como um todo. A trama acompanha a personagem de Uma Thurman numa sede de vingança após acordar de um coma de 4 anos, resultado de um massacre causado por seu antigo amante e seu grupo de assassinas.
O filme é cheio de cenas de ação maravilhosamente dirigidas, referências ao cinema japonês e uma sequência magnífica de animação no meio. Além de Uma Thurman, Lucy Liu também brilha no ato final do longa, em um embate frenético travado na neve.
“EVIL DEAD 2”, de Sam Raimi
Continuação, ao mesmo tempo que reboot, do primeiro Evil Dead, o filme de 1987 acompanha Bruce Campbell em uma performance insanamente divertida. Ash, um jovem que viaja para uma cabana isolada na floresta, se vê em uma situação perturbadora ao ouvir as gravações de um antigo hóspede do local, que invocavam demônios a partir de um livro antigo encontrado no porão.
Sam Raimi, ainda no início de sua carreira, já mostrava todo seu potencial ao criar um terror sobre possessão demoníaca surpreendentemente cheio de humor, com maquiagens nojentas e cheias de sangue.
“MENINAS MALVADAS”, de Mark Waters
Inspirado por um livro sobre as relações de poder entre meninas adolescentes, o filme roteirizado por Tina Fey é um retrato delicioso sobre o ensino médio estadunidense. Cady Heron, personagem de Lindsay Lohan, é uma estudante estrangeira que nunca havia estado em uma escola antes, e agora adentra o mundo das abelhas rainhas e da popularidade, cheio de hipocrisia e mentiras.
A trama, a princípio bem simples e comum entre filmes adolescentes, é muito bem articulada não só nas metáforas que traz sobre essa fase caótica (como quando a compara a estar na selva africana) quanto nos diálogos muito bem pontuados por Fey. Além disso, os figurinos e as personagens icônicas contribuem para um filme que, definitivamente, pode ser considerado irado.
“SPIDER-MAN: INTO THE SPIDER-VERSE”, da Marvel
Essa é uma das minhas animações favoritas, e talvez seja a melhor adaptação entre as de um Homem-Aranha nos cinemas. Miles Morales é um herói preto, e isso atravessa tanto sua postura como defensor da cidade como a que adota em sua vida privada. O filme, mesmo que entre nas questões do multiverso, que estavam bem em alta durante seu lançamento, usa-o como pano de fundo para uma jornada do herói muito mais interessante e cheia de vida do que apenas abordar, genericamente, sobre o conceito.
O traço de desenho do filme tem muita personalidade e autenticidade, e é um achado quase único nas animações de super-herois. Retomando personagens icônicos e amados do universo do Homem-Aranha, o longa une roteiro, visual e trilha sonora em um resultado final alucinante.
“HEATHERS”, de Michael Lehmann
Um dos casos em que a versão musical é muito mais conhecida do que a original, Heathers é um filme de 1989 que segue Veronica Sawyer, uma garota do ensino médio que divide seu tempo entre namorar um psicopata e ser amiga das abelhas rainhas do colégio. Em meio a tudo isso, ainda arranja tempo para planejar assassinatos e fingir suicídios alheios.
Esse filme é claramente uma grande inspiração para seu posterior, Meninas Malvadas, e sua versão musical também vale muito a pena. As situações são extremamente absurdas, e, mesmo que não seja lá um grande filme, é uma ótima escolha para quem procura algo divertido e envolvente.
“TRUQUE DE MESTRE”, de Louis Leterrier
Lançado em 2013, Truque de Mestre conta a história de 4 ilusionistas que se unem no maior grupo de mágica estadunidense, e usam de sua influência para planejar roubos na frente do grande público. Com um elenco de peso e truques muito maneiros, a história me cativou do início ao fim.
Quando sentei para ver esse filme, estava pronta para odiar tudo. Quão grande foi a minha surpresa quando, nos primeiros cinco minutos, a gracinha com o telespectador de escolher uma carta já me desmontou. É um filme extremamente absurdo, que se acha muito inteligente (o que fica pior no segundo), e que usa desses exageros para te cativar. Ainda assim, é um filme irado e que, se você se entregar para a trama e esquecer um pouquinho de como o mundo real funciona, pode ser uma grande diversão.
“SUSPIRIA”, de Dario Argento
Lançado em 1977 e dirigido pelo grande Dario Argento, Suspiria é um dos meus filmes favoritos. A trama segue Suzy Bannion, uma jovem bailarina americana estudante de ballet que se muda para uma prestigiada academia alemã em que assassinatos estranhos começam a acontecer.
Esse filme poderia estar na lista dos filmes mais lindos, visualmente falando, já feitos. É um dos filmes mais coloridos que já vi, um tipo de cor que já se perdeu no cinema atual. A combinação da ótima sonoplastia, ambientação e cores compõem um filme mais que irado, mas uma obra-prima do cinema de todos os tempos.
“DE VOLTA PARA O FUTURO”, de Robert Zemeckis
O filme De Volta Para o Futuro é um clássico em listas de filmes obrigatórios para se ver antes de morrer. Lançado em 1985, o longa de Robert Zemeckis acompanha Marty Mcfly, um garoto que vê sua vida mudar completamente ao topar participar do novo experimento de um amigo cientista. Agora, num carro prateado que viaja no espaço-tempo, ele se encontra no momento exato em que seus pais se conheceram, e tem a oportunidade de mudar, seja para melhor ou pior, os acontecimentos que culminaram em seu nascimento.
Esse é um clássico que, além de ser muito bem dirigido e ter um roteiro amarradinho, é, talvez, um dos filmes mais irados dessa lista. A ambientação nos anos 50, as cenas de música, os personagens icônicos e a performance arrasadora de Michael J. Fox são a essência de uma história que parece se tornar mais eternizada na cultura pop a cada ano que se passa.
“PULP FICTION”, de Quentin Tarantino
Mais um filme do Tarantino na lista (e um que eu tenho tatuado, sem querer, no braço), o filme lançado em 1994 divide opiniões. Na história, que não é contada linearmente, seguimos núcleos diferentes, mas interligados, que vão se relacionando através de episódios de violência nessa comédia criminal.
Para além dos quesitos técnicos – e não dá para negar, o Tarantino, infelizmente, arrasa –, esse filme tem cenas icônicas e imortalizadas no cinema. É um filme com a cara de seu diretor, com a essência da filmografia do Tarantino: tem sangue (muito sangue), lutas, cenas estranhas e personagens estranhos tomando atitudes mais estranhas ainda.
“TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO”, de Scheinert e Kwan
De volta à temática multiverso, esse filme, vencedor do Best Picture no Oscars de 2023, é uma história maluca sobre amor, família e as possibilidades que ficaram para trás. Ao seguir a personagem da brilhante Michelle Yeoh passando pelo pior momento de sua vida, outras linhas do espaço-tempo vão se abrindo e mostrando todas as vidas não vividas e os erros que se repetem em todas elas.
O filme foi aclamado quando lançado, e não a toa. É uma montagem brilhantemente divertida, na mesma medida que profunda, sobre as relações humanas; e a ideia de multiverso, ainda que centre o filme, não é a coisa mais importante dele. É uma história para se ver de mente aberta, pronto para aceitar as cenas mais insanas (e ótimas) de um dos favoritos da década.
“THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW”, de Jim Sharman
Para fechar a lista com chave de ouro, The Rocky Horror Picture Show é um musical de 1975 que tem Tim Curry em sua melhor performance; o que, para quem conhece o trabalho dele, sabe que é algo grandioso. Na história, um casal acaba em uma casa estranha, cheia de gente esquisita, após ficarem presos numa tempestade de chuva. A partir disso, eles passam por situações que nunca poderiam ter imaginado antes, e descobrem mais sobre quem são, e o que gostam, nessa jornada.
Esse é um dos musicais mais irados já feitos, referenciado amplamente na cultura pop (tem um episódio de Glee inteiro sobre!) e amado por seus figurinos extravagantes e maquiagem exagerada. Uma parada obrigatória para quem ama cinema, música e moda.












